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Guia para fornecedores

Ata de registro de preços: como funciona o SRP e como fornecer sem prejuízo

A ata de registro de preços é o jeito mais comum de o governo comprar ao longo do ano sem licitar toda vez. Para o fornecedor, é previsibilidade de demanda com uma pegadinha: o preço fica travado por até 12 meses. Este guia mostra como funciona, como precificar e como aproveitar a carona.

O que é o sistema de registro de preços (SRP)

O sistema de registro de preços é um procedimento auxiliar previsto na Lei 14.133/2021. Em vez de licitar uma compra fechada, o órgão faz uma licitação (quase sempre um pregão eletrônico) para registrar o preço e as condições de fornecimento de um item, e depois compra aos poucos, conforme a necessidade aparece.

O SRP resolve um problema do setor público: muitos órgãos não sabem quanto vão consumir de papel, medicamentos, merenda ou peças ao longo do ano, nem quando. Com o preço registrado, eles pedem quando precisam, sem nova licitação, dentro do quantitativo estimado.

Para o fornecedor, isso muda a lógica do negócio. Você não vence uma venda; vence o direito de ser o fornecedor daquele item por um período, a um preço fixo.

O que é a ata de registro de preços

A ata de registro de preços é o documento assinado após a licitação que formaliza o compromisso: o fornecedor vencedor registra seus preços, o quantitativo estimado, as condições de entrega e o prazo de validade. Três características definem a ata:

A ata não é contrato. O contrato (ou a nota de empenho, nos casos mais simples) nasce de cada ordem de fornecimento. A ata é o compromisso de preço; o contrato é a compra efetiva.

Como funciona na prática: do pregão à ordem de fornecimento

  1. Edital para registro de preços. O órgão publica o pregão informando que o objetivo é registrar preços. O edital traz o quantitativo estimado por item, muitas vezes dividido entre o órgão gerenciador e órgãos participantes.
  2. Disputa de lances. Funciona como qualquer pregão: menor preço por item ou lote, habilitação do vencedor, adjudicação e homologação.
  3. Assinatura da ata. O vencedor é convocado para assinar a ata em prazo definido no edital. Quem não assina pode ser penalizado e perde a vaga para o próximo colocado.
  4. Cadastro de reserva. O edital pode prever que fornecedores dispostos a praticar o mesmo preço do vencedor componham um cadastro de reserva, chamado se o primeiro for liberado ou descumprir a ata.
  5. Ordens de fornecimento. Ao longo da vigência, o órgão emite ordens (ou empenhos) com a quantidade e o local de entrega. Cada ordem gera uma entrega, uma nota fiscal e um pagamento.
  6. Encerramento ou prorrogação. Ao fim de 12 meses, a ata vence ou é prorrogada por até mais 12, quando o preço registrado ainda for vantajoso.
No BidManager, a busca por produto encontra o seu item dentro do texto dos editais e das planilhas de itens, inclusive quando o pregão é para registro de preços. O resumo do edital mostra o prazo de entrega e o local, dois dados que definem se a ata vale a pena.

Vantagens e riscos para o fornecedor

Vantagens

Riscos

Como precificar para uma ata de 12 meses

O preço de uma ata precisa aguentar um ano inteiro, e você não sabe quando os pedidos chegam. Passos:

  1. Peça preço de 12 meses ao fabricante. Explique que é para registro de preços e tente uma tabela com validade longa. Quem cota só o preço de hoje assume o risco sozinho.
  2. Some o custo do dinheiro. Entre a entrega e o pagamento há um prazo definido no contrato, e a Lei 14.133 manda o órgão seguir ordem cronológica de pagamentos. Calcule quanto custa financiar cada entrega por esse período.
  3. Estime a variação do insumo. Para itens com histórico de alta (combustível, importados, alimentos), aplique uma margem de proteção. Para itens estáveis, margem menor.
  4. Calcule o frete por pedido, não por ata. Se o órgão pode pedir 20 unidades de cada vez, o frete unitário é muito maior do que em uma entrega única de 500. Pergunte no esclarecimento qual é o lote mínimo por ordem.
  5. Preveja o pior cenário de volume. Se o órgão comprar só uma fração do estimado, a operação ainda fecha? Se não, o preço está baixo demais.
  6. Verifique quem paga. Uma ata de 12 meses com um órgão que atrasa pagamentos é um problema que se repete a cada entrega. Consulte a nota CAPAG do órgão antes de dar lances.

Na sessão de lances, defina o preço mínimo antes de começar e respeite. A tentação de cobrir o concorrente é maior no registro de preços, porque o volume aparente é grande; mas o volume é estimado, e o preço é firme.

O BidManager mostra a nota CAPAG (capacidade de pagamento do Tesouro Nacional) do órgão em cada edital. Em atas de registro de preços, onde a relação dura um ano, evitar quem tem nota C ou D protege o caixa a cada ordem de fornecimento.

Como gerenciar entregas parceladas

Vencer a ata é o começo; o lucro depende de executar bem dezenas de pequenas entregas. O que funciona:

Carona: vender para outros órgãos pela sua ata

A adesão à ata, conhecida como carona, permite que um órgão que não participou da licitação compre pela sua ata, nas mesmas condições. O órgão gerenciador autoriza a adesão e você é consultado sobre o fornecimento.

Pontos práticos:

Os filtros por estado e segmento do BidManager ajudam a mapear órgãos que compram o seu item perto de você. Com uma ata vigente em mãos, esses órgãos são candidatos naturais a carona, e você chega com preço registrado e proposta em PDF pronta para enviar.

Compra única e registro de preços: comparativo

AspectoCompra única (contrato fechado)Registro de preços (ata)
QuantidadeDefinida; o órgão compra o que licitouEstimada; o órgão compra conforme a demanda, sem obrigação
Prazo da relaçãoUma entrega ou cronograma curtoAté 1 ano, prorrogável por igual período
PreçoVálido para aquela entregaFixo durante toda a vigência, salvo reequilíbrio justificado
LogísticaUma ou poucas entregas grandesVárias entregas pequenas, sob demanda
Outros órgãosNão participamPodem aderir (carona), dentro dos limites legais
Risco principalErro de custo em uma entregaAlta de custo ao longo do ano e volume abaixo do estimado
Vantagem principalFechamento rápido e caixa previsívelDemanda recorrente sem nova licitação

Compras pequenas e urgentes muitas vezes nem passam por pregão: seguem pela dispensa eletrônica, com lógica própria e prazos mais curtos.

Erros comuns em atas de registro de preços

Para quem está começando, o guia de como vender para o governo explica o caminho completo. E a proposta de licitação para registro de preços precisa deixar claros validade, prazo de entrega por ordem e marca ofertada.

Encontre atas de registro de preços no seu segmento

O BidManager reúne os pregões para registro de preços de órgãos federais, estaduais e municipais, mostra a nota CAPAG de quem compra e gera a proposta em PDF com os dados da sua empresa.

Ver planos do BidManager

Perguntas frequentes

Quanto tempo vale uma ata de registro de preços?

A ata vale por até 1 ano e pode ser prorrogada por igual período, desde que o órgão tenha interesse e o preço registrado continue vantajoso. Durante toda a vigência o fornecedor mantém o preço e as condições registradas. Ao precificar, considere o cenário de 12 meses e a possibilidade de prorrogação.

O órgão é obrigado a comprar tudo o que está na ata?

Não. O quantitativo da ata é uma estimativa máxima, não um pedido. O órgão pode comprar tudo, parte ou nada, conforme a demanda real. Por isso, não monte estoque para o total registrado e calcule se a operação ainda fecha caso o volume fique bem abaixo do estimado.

O que é carona em ata de registro de preços?

Carona é a adesão de um órgão que não participou da licitação à ata de outro órgão, nas mesmas condições de preço. O órgão gerenciador autoriza a adesão dentro dos limites quantitativos da lei, e o fornecedor pode aceitar ou recusar. É uma forma de vender para novos clientes sem nova licitação.

Posso reajustar o preço durante a vigência da ata?

Não automaticamente. O preço registrado é firme durante a vigência. O reequilíbrio econômico-financeiro só é concedido com justificativa comprovada, como aumento documentado de custo por fato imprevisível, e a decisão cabe ao órgão. Na precificação, trate o reajuste como exceção e proteja a margem desde o início.

Como funciona a entrega em uma ata de registro de preços?

O órgão emite ordens de fornecimento ou empenhos ao longo da vigência, cada um com quantidade, local e prazo. O prazo de entrega do edital costuma contar do recebimento da ordem. Cada ordem gera uma entrega, uma nota fiscal com o número da ordem e um pagamento, dentro do prazo contratual.

Qual a diferença entre ata de registro de preços e contrato?

A ata é o compromisso de preço e condições por um período; não obriga o órgão a comprar. O contrato, ou a nota de empenho nos casos mais simples, é a compra efetiva, gerada a cada ordem de fornecimento. Uma ata pode originar vários contratos ao longo de sua vigência.

Posso recusar uma ordem de fornecimento da ata?

Recusar sem motivo aceito pelo órgão é descumprimento da ata e pode gerar multa e impedimento de licitar. Se um fato comprovado tornou o fornecimento inviável, comunique por escrito antes do prazo, apresente provas e peça reequilíbrio ou o cancelamento do registro. A decisão é do órgão, que pode chamar o cadastro de reserva.